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Quando as aldeias do Minho tinham crianças

Houve um tempo em que as aldeias do Minho acordavam cheias de vida. Logo cedo, ouviam-se crianças nas ruas, animais nos currais, gente a caminho dos campos e vizinhas à porta.

Além disso, havia sempre alguém pronto para dois dedos de conversa. A vida não era fácil. Pelo contrário, havia trabalho duro, pouco dinheiro e muitos sacrifícios. Ainda assim, existia movimento, proximidade e uma comunidade que hoje parece mais rara.

Nestas terras minhotas, as crianças brincavam nos largos, corriam pelos caminhos e inventavam jogos com pouco ou quase nada. Por isso, a rua era quase uma escola de vida. Se uma criança caía, havia sempre alguém por perto. Se fazia asneira, também havia quem visse.

aldeia do minhoCampos e vizinhos nas aldeias minhotas

Nas aldeias do Minho, os campos marcavam o ritmo dos dias. Havia milho, batatas, couves, vinho, animais e mãos calejadas. Depois, ao fim da tarde, muita gente ficava à porta de casa.

Falava-se do tempo, das colheitas, dos filhos, dos emigrantes e das festas da terra. Assim, os vizinhos eram quase família. Ajudavam-se nas colheitas, nos casamentos, nos funerais e nas dificuldades.

Claro que havia zangas e mexericos. No entanto, também havia presença, entreajuda e portas abertas. Naquele tempo, uma aldeia minhota não era apenas um lugar. Era, sobretudo, uma rede de pessoas que se conheciam e se apoiavam.

O silêncio nas aldeias do Minho

Hoje, muitas aldeias do Minho continuam bonitas. Têm casas de pedra, campos verdes, igrejas, espigueiros, caminhos antigos e paisagens que ainda emocionam quem passa.

Porém, em algumas aldeias minhotas, já quase não se ouvem crianças. Muitas casas fecharam. Muitos campos ficaram vazios. Além disso, muitos bancos à porta deixaram de ter conversa.

Mesmo assim, a memória continua viva. Está nas fotografias antigas, nas histórias dos mais velhos e nas festas que ainda juntam quem ficou com quem regressa.

Por fim, recordar esse tempo é mais do que sentir saudade. É lembrar uma forma de viver em comunidade que marcou gerações e que ainda merece ser contada.

E na sua terra, as aldeias ainda têm vida ou o silêncio já tomou conta das ruas?